Serra Talhada

Família faz apelo após interrupção de tratamento vital para criança com diabetes tipo 1

A família da pequena Ketlen Esther de Souza Cardozo, portadora de diabetes tipo 1 desde 1 ano e 3 meses de idade, faz um apelo público após a interrupção de um tratamento considerado essencial para a sobrevivência da criança. Desde muito cedo, Esther enfrenta uma rotina marcada por internações, crises convulsivas e riscos constantes à vida.

Até os cinco anos de idade, a criança utilizava insulinas análogas, período em que sofreu diversas intercorrências hospitalares, com episódios frequentes de hipoglicemia severa (glicemia abaixo de 70 mg/dl), crises convulsivas e risco iminente de coma. Diante da gravidade do quadro, a médica endocrinologista Dra. Aline Capitelli, do estado do Tocantins, estudou o caso e indicou o uso da bomba de infusão de insulina, um tratamento moderno que libera pequenas doses contínuas do hormônio, garantindo maior controle glicêmico e qualidade de vida.

Enquanto a família residia no Tocantins, o Estado fornecia regularmente o tratamento, de forma anual e sem interrupções, reconhecendo a gravidade do quadro clínico de Esther, que inclui histórico de cetoacidose diabética e risco de coma por hipoglicemia severa.

Ao retornar para Pernambuco, a família precisou recorrer à Promotoria de Justiça para garantir a continuidade do tratamento. Inicialmente, o fornecimento passou a ser feito a cada seis meses, sempre acompanhado de dificuldades burocráticas. Posteriormente, uma decisão da 18ª Vara determinou que o tratamento fosse entregue trimestralmente. Ainda assim, a cada renovação, a família enfrentava uma verdadeira batalha: exigência de novas cotações, documentos adicionais e constantes entraves administrativos.

O último fornecimento do tratamento ocorreu em julho de 2025. Conforme a decisão judicial, uma nova cotação foi enviada à Promotoria no dia 29 de outubro, dentro do prazo de três meses. A documentação foi juntada ao processo em 17 de novembro. Mesmo assim, no dia 4 de dezembro, a Promotoria emitiu novo comunicado solicitando o bloqueio de valores, alertando que a criança não poderia ficar sem a medicação.

Apesar disso, no dia 10 de dezembro, o tratamento acabou e Esther precisou retirar a bomba de infusão. Poucos dias depois, em 16 de dezembro, veio o desespero: a criança sofreu o primeiro internamento após a interrupção do tratamento. A família enviou fotos, mensagens e pedidos de socorro à Promotoria, mas o período coincidiu com recesso dos órgãos públicos e feriados, o que atrasou qualquer providência.

Agora, no dia 4 de fevereiro, o Estado entrou com recurso, informando que não concorda com a decisão judicial que determinava o fornecimento do tratamento.

Diante da situação, a família de Esther afirma que não tem mais a quem recorrer e faz um apelo público aos meios de comunicação, buscando uma resposta urgente das autoridades e, acima de tudo, a retomada imediata do tratamento que garante a vida da filha.

“Estamos lutando contra o tempo. Não é apenas um processo, é a vida da nossa filha”, desabafa a família.