Ambientalista Bonzinho Magalhães alerta para perfuração indiscriminada de poços em meio à crise hídrica

Em um pronunciamento contundente durante a sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira, o ambientalista Bonzinho Magalhães fez um grave alerta sobre a crescente perfuração de poços artesianos como solução para a severa crise hídrica que assola a região. Segundo Bonzinho, a prática, realizada sem o devido planejamento técnico e gerenciamento, pode comprometer a única reserva de água restante: o subsolo.
Magalhães iniciou sua fala destacando a situação crítica dos reservatórios superficiais. “As barragens do Moxotó, Pajeú, tudo isso aí está praticamente zero. O Cachoeira […] já está no volume morto, com menos de 12%”, afirmou, ressaltando que a única alternativa tem sido a busca por água subterrânea. O ambientalista, no entanto, demonstrou grande preocupação com a forma como essa busca tem sido conduzida.
“A cada dia a resolução é perfurar um poço. […] E eu vi três poços cavados em um quintal de uma casa. Então, esse alerta que nós estamos trazendo aqui hoje”, declarou Magalhães.
O ponto central do alerta é a diferença crucial entre a perfuração indiscriminada, o que chamou de “poço de quintal”, e a perfuração de poços artesianos baseada em estudos técnicos e gerenciamento adequado. Ele defendeu a necessidade de seguir manuais e critérios técnicos para garantir a sustentabilidade do aquífero.
Para enfrentar o problema de forma estruturada, o ambientalista propôs a criação de uma lei municipal de recursos hídricos e a formação de uma secretaria dedicada exclusivamente à gestão hídrica, separada de outras pastas como agricultura e meio ambiente. Além disso, cobrou a responsabilidade de órgãos como o IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) e a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) no mapeamento e monitoramento de todos os poços de Serra Talhada.
“Não é cavando um poço que se resolve um problema. É estudar o local, ver a possibilidade e referenciar o poço que foi feito e o que já está para fazer”, disse, citando uma conversa esclarecedora com um especialista chamado Rosimério.
Ao final de seu discurso, Bonzinho Magalhães reforçou um conceito fundamental e muitas vezes esquecido: “Água é um produto finito. Ela acaba”. Ele comparou a situação local com a de São Paulo, onde mesmo com chuvas volumosas o sistema Cantareira continuou a baixar, para ilustrar a complexidade e a gravidade da gestão dos recursos hídricos. “Serra Talhada está na linha do pênalti”, concluiu, conclamando os poderes públicos e a sociedade a agirem com urgência e responsabilidade.






