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Polo de Confecções de Pernambuco enfrenta dificuldade para encontrar trabalhadores

O Polo de Confecções de Pernambuco, considerado um dos maiores centros produtores de vestuário do país, enfrenta um novo desafio: a falta de trabalhadores, principalmente entre os jovens.

A cadeia produtiva, que emprega cerca de 200 mil pessoas no estado, tem encontrado dificuldades para renovar a mão de obra e manter o ritmo de crescimento. Muitos jovens demonstram pouco interesse pelas atividades da indústria da moda e buscam trabalhos com maior flexibilidade de horários, como serviços de entrega, transporte por aplicativo e atividades ligadas ao meio digital.

Outro fator apontado por empresários e representantes do setor é a baixa remuneração. Os salários, muitas vezes próximos ao mínimo, acabam tornando as fábricas menos atrativas diante de outras oportunidades profissionais.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Pernambuco, João Darru, a mudança no comportamento das novas gerações exige novas estratégias. Para ele, o setor precisa oferecer jornadas mais flexíveis, benefícios, ambientes modernos e oportunidades reais de crescimento.

Apesar da dificuldade, algumas histórias mostram que ainda existem jovens interessados na área. Pedro Lucas, de 19 anos, conseguiu o primeiro emprego em uma fábrica de Caruaru após acompanhar a trajetória da mãe, que trabalha há quase duas décadas no setor.

Millena Silva, de 21 anos, também aprendeu a costurar com a mãe e atualmente trabalha em uma confecção enquanto cursa Design de Moda na Universidade Federal de Pernambuco. O objetivo dela é crescer na indústria e atuar como modelista ou pilotista.

Para tentar reduzir a falta de profissionais, entidades do setor têm investido em capacitação. Nos últimos 12 meses, o Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco promoveu cerca de 7,4 mil horas de cursos nas áreas de corte, costura, modelagem, tecnologia e gestão industrial.

O Governo de Pernambuco também criou um grupo de trabalho para discutir os principais problemas do polo. Entre as propostas está a criação de uma plataforma estadual para reunir cursos oferecidos pelo governo, prefeituras, Sistema S e entidades do setor.

Outra alternativa debatida é a expansão da indústria para novas regiões, como a Zona da Mata e o Sertão. Empresários defendem a criação de novos polos produtivos para evitar que empresas deixem Pernambuco em busca de trabalhadores em estados vizinhos.

Representantes dos trabalhadores afirmam que a solução também passa por melhores salários e benefícios. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Costura e Vestuário de Pernambuco, o salário-base de uma costureira é de cerca de R$ 1.830, geralmente sem vale-alimentação, cesta básica ou assistência à saúde.

Diante desse cenário, o setor aposta em qualificação, tecnologia, melhores condições de trabalho e novas formas de gestão para continuar competitivo e atrair uma nova geração de profissionais.

Fonte: Movimento Econômico