Comércio varejista elimina 45,9 mil vagas no primeiro semestre de 2026

O comércio varejista eliminou 45,9 mil empregos com carteira assinada entre janeiro e junho de 2026, segundo dados do Caged. É o pior resultado para um primeiro semestre desde a pandemia.
Enquanto o mercado de trabalho brasileiro criou 921 mil vagas no período, o comércio foi o único grande setor a registrar saldo negativo, com a eliminação de cerca de 3.500 postos.
Os segmentos mais afetados foram as lojas de roupas e acessórios, que fecharam 30,9 mil vagas; as lojas de calçados, com 11,3 mil demissões; e os supermercados e hipermercados, que eliminaram 5,6 mil postos.
Especialistas apontam uma combinação de fatores para o cenário: juros elevados, crédito mais caro, endividamento das famílias, crescimento das apostas online e avanço do comércio eletrônico.
A taxa de juros para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho, enquanto os juros do cartão de crédito alcançaram 97,4% ao ano.
As apostas online também são apontadas como um fator de pressão sobre o consumo. Segundo levantamento citado pela reportagem, 23% dos apostadores reduziram gastos com roupas e calçados para destinar dinheiro às apostas, enquanto 19% diminuíram despesas com supermercados.
Outro fator é a migração das compras para a internet, que reduz a necessidade de lojas físicas e, consequentemente, de funcionários no varejo tradicional.
A expectativa de especialistas é que o comércio termine 2026 praticamente no zero a zero na geração de empregos formais, mesmo com a tradicional contratação de trabalhadores no segundo semestre.






