Brasil

COP30: governo Lula paga mais de R$ 4 milhões a empresa suspeita de propina

Em setembro, a Ômega Construtora e Incorporadora recebeu R$ 4,4 milhões de uma linha especial de crédito do Ministério do Turismo, aprovada para apoiar a realização da COP30. O recurso foi liberado pela Caixa Econômica Federal, banco credenciado pela pasta, a partir do Novo Fungetur, programa de financiamento a juros baixos voltado ao setor turístico, informou nesta terça-feira, 11, o portal UOL.

O ministro Celso Sabino (União Brasil-PA) estabeleceu critérios diferenciados para empresas do Pará, seu Estado de origem, duplicando o limite de empréstimo e exigindo aprovação prévia do ministério para as propostas. Apesar disso, a fiscalização da aplicação dos recursos ficou a cargo dos bancos credenciados, responsáveis por comprovar o destino dos valores à COP, conforme revelou o UOL.

Igor de Sousa Jacob, proprietário da Ômega, e seu pai, são investigados pela Polícia Federal por realizarem saques em dinheiro vivo desde o fim do ano passado. Ambos foram alvos de busca e apreensão há menos de um mês. O inquérito aponta a Ômega como empresa de fachada para desvio de recursos de contratos de saneamento em Belém.

Questionado, Celso Sabino declarou ao UOL quem faz análise de crédito e de viabilidade do negócio é o banco, e a pasta “não tem qualquer ingerência” ou “menor conhecimento”. O ministro ainda afirmou desconhecer os motivos da investigação e que “se essa empresa não pagar, o banco vai ter que dar conta, pelo contrato que a gente tem com ele”.

A defesa de Igor Jacob informou que ele, o pai e a empresa não irão se manifestar por não terem acesso completo ao processo. Desde agosto de 2023, Sabino incentiva o uso do Fungetur em ações pelo país. O fundo aumentou seu orçamento, podendo chegar a R$ 925 milhões neste ano, depois da aprovação de crédito extra pelo Congresso.