Perda de memória: saiba quando o esquecimento se torna um sinal de alerta

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Esquecer onde colocou as chaves, o nome de uma pessoa ou o que comeu no almoço pode ser um fenômeno comum e não necessariamente indica que a memória não está funcionando corretamente. Esses lapsos podem ser mais relacionados à falta de atenção.

No entanto, os problemas de memória estão mais relacionados à dificuldade em recuperar informações que foram registradas anteriormente. Há períodos em nossas vidas em que a memória pode ser mais afetada, como durante momentos de alto estresse ou falta de sono. Além disso, é natural que haja alguma diminuição na capacidade de memória à medida que envelhecemos.

No entanto, isso não significa que a memória necessariamente venha a piorar com a idade. Existem várias estratégias que podem ajudar a manter uma boa memória. Pequenos esquecimentos são normais, mas se houver esquecimentos frequentes ou dificuldade em lembrar informações importantes, pode ser útil procurar aconselhamento médico. Mas qual a diferença entre a falta de atenção e a perda de memória?

O neurologista Rodrigo Rizek Schultz, especialista em distúrbios de memória e demências e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, a ABRAz, falou ao podcast do Bem Estar sobre esse assunto.

Quando devo procurar um especialista?
“Quando há alguma interferência, algum tipo de prejuízo, que a pessoa sinta que ela não consiga mais exercer da mesma forma, da mesma qualidade [a memória], ela já deve começar a pensar e procurar um clínico para conversar”, diz Schultz. “Não digo só em relação à doenças, mas se ela sente que há alguma interferência, como em distúrbios metabólicos da própria tireoide, ou uma depressão, ou uma ansiedade e se diagnosticada, poderá ser tratada”.

O profissional multitarefa é na maioria das vezes o mais valorizado no mercado de trabalho. Segundo o neurologista, inicialmente isso não é considerado um problema. “Do ponto de vista neurológico, da atividade cerebral, não é algo danoso”. Mas do ponto de vista evolutivo acabamos nos adaptando a múltiplas tarefas que, consequentemente, podem causar algum eventual esquecimento.

Distúrbios emocionais como depressão e ansiedade também podem agravar a memória. “A depressão e os transtornos psicológicos ou psiquiátricos podem causar um impacto na memória. Aquelas pessoas que tem um humor mais deprimido, mais chorosas, melancólicas, podem ter algum prejuízo mesmo que leve nesse desempenho das atividades, afetando a atenção. Não é diretamente na memória, mas na atenção”.

Schultz aponta que desequilíbrios cognitivos podem ocorrer em situações físicas que afetam o corpo e não necessariamente em questões especificamente neurológicas. Desde uma gripe, um distúrbio gastrointestinal, uma cirurgia na coluna, até uma dengue, podem prejudicar o equilíbrio das funções do cérebro.

Excesso de tarefas
‘Compreender o funcionamento do seu organismo’
Organização torna as tarefas mais produtivas e suportáveis e evita o surgimento de uma ansiedade descontrolada que possa prejudicar o desempenho da memória. “Isso aqui é muito, não vou dar conta, já é sinal de que pode ser danoso”. Do mesmo modo, com o envelhecimento, as pessoas começam a ter uma dificuldade maior em fazer tarefas simultâneas. “Uma velocidade de pensamento mais lenta”, destaca ele. É importante “compreender o funcionamento do seu organismo”.

Alzheimer
Os distúrbios do sono agem como um fator de risco para doenças degenerativas, como o Alzheimer. “Quem dorme mal, tem um risco maior para a deposição das proteínas anormais, que se depositam de maneira anormal no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer”, alerta o especialista.

Lembranças episódicas
Tendo em vista todos esses problemas, Schultz também dá dicas para aqueles que cuidam de pessoas com problemas de memória. “Ouvir com atenção, não banalizar, não apresentar preconceitos ou ideias pré-concebidas, afirmando coisas como ‘quando ele quer, ele lembra’”, porque pode haver algum indício relevante para o tratamento e bem-estar daquele paciente.

Exercícios para a memória

Cuidar da saúde física: realizar caminhadas, ginásticas e manter a prática de esportes.

Desenvolver e manter a atividade cognitiva: fortalecer a memória, a atenção, o planejamento nas ações, aprender coisas novas, como tocar uma música ou novos idiomas.

Socialização: estar junto com as pessoas, pois se relacionar faz bem para o cérebro e é importante até para a criação de uma rede de apoio.

Fazer uma dieta saudável: é importante não ingerir embutidos ou comidas gordurosas que facilitem o processo de perda de desenpenho da memória.