PF conclui pela 2ª vez que Jair Bolsonaro não interferiu em investigações

A Polícia Federal (PF) concluiu pela segunda vez que não há indícios de crime do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na investigação sobre suposta interferência política na corporação. A informação foi divulgada neste domingo, 12.
A primeira conclusão nesse sentido foi apresentada em março de 2022, quando a PF enviou relatório final ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual declarou que não havia elementos que configurassem crime. O inquérito havia sido aberto em abril de 2020 pelo então ministro Celso de Mello, a pedido do então procurador-geral da República, Augusto Aras.
A investigação teve origem nas declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro ao deixar o governo. Na ocasião, ele afirmou ter sofrido pressão de Bolsonaro para promover mudanças no comando da PF, incluindo a substituição do então diretor-geral Marcelo Valeixo.
Durante quase dois anos de apuração, a PF ouviu 18 pessoas, realizou perícias, analisou dados e determinou quebras de sigilo telemático. O relatório, assinado pelo delegado Leopoldo Soares Lacerda, concluiu que não havia elementos mínimos que indicassem a existência de crime nem por parte de Bolsonaro nem de Moro.
Valeixo, que comandava a PF em 2019, em depoimento no inquérito da suposta interferência, declarou que as investigações de Moraes não passavam pelo comando da corporação. Assim, não haveria possibilidade de Bolsonaro interferir nas apurações.
Em setembro de 2022, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia pedido o arquivamento do inquérito, com o argumento de que as condutas não configuravam crime.
Em outubro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, que assumiu o inquérito depois da aposentadoria de Mello, determinou a reabertura da investigação.
Ele atendeu à solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu novas diligências na investigação.
Depois de nova análise das provas já reunidas, a PF reiterou a conclusão de que não há elementos que justifiquem imputação penal. No relatório complementar, o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, da Diretoria de Inteligência Policial, afirmou que as diligências realizadas à época dos fatos não revelaram informações capazes de sustentar acusações criminais






